
Witches é um mangá de Daisuke Igarashi que reconta as histórias de bruxas das diversas partes do mundo, todo o misticismo e cultura se misturam para contar os contos aqui narrados.
O que é interessante é que há elementos da floresta Amazônica, como a disputa dos criadores de gado pelas terras virgens da floresta, as culturas do mundo todo servem de base para histórias de conflitos, vingança e até missões. Eu achei o traço bem bonito, os animais são bem detalhados, por exemplo, são vários rabiscos que tomam forma, completando um todo, por isso esse mangá foi tão aclamado pela sua arte, e ele tem toda uma identidade visual que chama bastante atenção, não só pelo expressionismo dos personagens.

Neste primeiro volume temos três histórias. Na primeira, as tecelãs de uma determinada tribo têm o dom de tecer mensagens nos tapetes que bordam, Shiral, uma garota da tribo que mencionei, teceu uma mensagem e sua avó lhe disse para ir até a pessoa certa e repassar a tal mensagem, ela então viaja sozinha para a capital, o que ela não sabe é que Nicola, que outrora foi rejeitada pelo rapaz que amava, buscou poder e voltou para obter vingança perante a família do rapaz. Nesta estória achei bizarro a mosca desenhando o padrão da morte no ar e ceifando a vida de todos os comerciantes do bazar na mesa, isso foi o primeiro sinal de que esse mangá seria macabro quando precisasse ser e estonteante quando necessário. A sensação que dá é que a história já começa no seu decorrer com pequenos 'flashbacks' e não do começo, você sente como se pegasse o bonde andando, mas entende tudo, ao menos eu entendi, tenho um amigo que detestou porque não entendeu a história. Seguindo para a próxima história, estamos num lugar que seria a Amazônia brasileira, parece muito e pela disputa de terra contra os índios, pela ilustração do rio cortando a floresta, venho a acreditar que seja mesmo, enfim, a Xamã Cumari perde seu marido assassinado devido ao conflito para a derrubada da mata e tenta buscar vingança, não vou contar o final, afinal já venho dando muitos '
spoillers'. A última estória é bem curtinha e fala de uma bruxa que faz predições do futuro e está sempre montada em um passarinho.

Neste segundo volume, a primeira história, a que conta sobre a pedra da reprodução, me cativou pela ligação que o autor conseguiu fazer entre bruxas, o espaço sideral e o Vaticano. Sim, parece estranho misturar coisas que não têm nada em comum, mas Daisuke Igarashi conseguiu. A grande bruxa Mira toma a menina Alicia sob sua tutela e lhe ensina o cotidiano da criação de animais e a manutenção da casa onde vivem isoladas nas montanhas do norte da Europa, até que o poder que emana de um artefato adquirido em um acidente no espaço faz os padres do Vaticano pedirem a ajuda de Mira. Nesta história fica nítido uma crítica à hipocrisia da igreja e a população. Desde tempos remotos a bruxaria foi algo que causava repulsa nos leigos, o medo do desconhecido os faziam agir como imbecis.
Em 'A Ladra de Canções' fica nítido que nem todas as bruxas conhecem seus poderes ou precisam ser bruxas para aproveitar-se da magi
a, a estudante Hinata rouba uns envelopes com dinheiro da carteira do professor e segue com Yuji, seu agregado, para um viagem de navio onde conhece Chitaru, que lhe fala da ilha onde ouviu a canção que a despertou, então Hinata se convence a ir a dita ilha... Não ficou claro que Hinata roubou o dinheiro, como muitas coisas nas histórias ficam subtendidas, mas em 'Praia' fica nítido que podemos nos deparar com bruxas em nosso cotidiano e nem perceber.
Foi um mangá que não me arrependo nem um pouco de ter comprado, o traço combina com a atmosfera que as estórias propiciam e a narrativa é bem fácil de compreender.

Mangá: Witches
Autor: Daisuke Igarashi
Editora: Panini
Coleção completa em 2 volumes
Preço de capa: R$: 18,90
Número de Páginas: 192 no primeiro volume e 208 no segundo
Formato: 13,7x20cm
Papel offset e capa fosca
Lançamento: Outubro e Dezembro 2017 respectivamente
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